um DIA com PLEXO

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Era um fim de tarde, o sol se punha ao longe o céu estava coberto de nuvens, aquele dia havia sido complexo, mas a viver é complexo, estamos em movimento constante, estamos respirando, estamos vivendo, estamos sobrevivendo, pensamos, agimos, nos comunicamos ou não, fazemos escolhas, viver é fazer escolhas a todo momento, quão complexo é pensar que muitas vezes fazemos isso simultaneamente.

E o dia havia sido complexo.

Caminhava em um caminho de terra, ao lado da pista, de um lado árvores tortas do cerrado, um chão de terra vermelha, um sol que se punha ao longe, do outro um asfalto mal feito, carros transitando, um horizonte de nuvens carregadas, um mesmo caminho duas visões. As nuvens decidiram que quando eu chegasse ao meio do caminho iriam elas descarregar sua pressão e chorariam sobre mim, mas elas estavam controladas e as lágrimas ali caídas eram brandas e quando entravam em contato com o solo, exalavam perfume de ar fresco, cheiro de terra molhada, me despertariam sensações. Meu corpo exalava sensações confusas, complexas e difusas.

Aquele choro era tão brando, e me acompanhara até o momento que cheguei ao meu destino, vieram para trazer sensações viver é uma sensação, alias viver são várias sensações.

Pausa, nesse momento pausemos e observemos a sensação.

Em silêncio, talvez prosseguimos.

 

Por: Nininha Albuquerque

 

Lembrei de um alguém

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Me lembrei daquele antigo envolvimento, olhares, flerte, palco, ensaios, coxia, um toque suave e intenso ao segurar as mãos pela primeira vez, o corpo nu, mas era só um ensaio, intenções, diálogos, atracão, muita atracão, olhares devoradores, flertes que se consumiam em desejos explícitos, mais olhares, atracão, muita atracão.
No meio do ensaio, pré espetáculo atras do palco, na coxia foi onde aconteceu o consumar desejoso de corpos viscerais, nos “Zé-celsos” da vida, gostosas lembranças.
Me lembrei agora do corpo dançante, fugaz atuante, do contagio empolgante, me lembrei então de todo percorrer e um longo esclarecer veio então a mente me fazer compreender, me lembrar desse alguém apaixonante, me fez entender os caminhos distintos, sutis e intrigantes que a vida propôs, me fez sorrir simples nessa noite de frio. Gostosa lembrança que me veio antes de adormecer me faz percebe que na vida ainda há muito o que acontecer.

Por: Nininha Albuquerque.

Todas as Vidas

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Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé
do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço…
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo…
Vive dentro de mim
a lavadeira
do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde
de São-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada,
sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
-Enxerto de terra,
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha…
tão desprezada,
tão murmurada…
Fingindo ser alegre
seu triste fado.
Todas as vidas
dentro de mim:
Na minha vida -
a vida mera
das obscuras!

Por: Cora Coralina

A dança

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Dois corpos se encontram,

o perfume dela adentra ao ambiente

não chega a tomar conta do ar,

mas levemente deixa um rastro,

olhares intensos.

Diálogo,

esse surge em meio aos olhares,

de forma bem descontraída,

um toque, sutil, afetuoso,

conexão além olhares,

pele,

saliva,

cheiros,

suor,

troca energética,

gozo,

suor,

respiração,

a dança de dois corpos em troca prazerosa,

ofegantes dançantes,

corpos moventes,

a sensualidade no ar,

o cheiro de sexo exala,

o ápice

e a sonolência,

o carinho a sutileza,

novamente a dança,

a despedida,

prosseguimos…

 

Por: Nininha Albuquerque

Des…animo

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Era um dia tenso, as energias ultimamente andam densas, o desanimo, vez ou outra anda me perseguindo, mas gosto de contrariá-lo e mesmo sem o animo a me acompanhar vou prosseguindo.

O universo parece hora conspirar para desistência, mas o vício de não parar me faz ir no contrafluxo universal.

Hora ou outra quero desistir, e dizer você venceu, acabe logo com isso, as vezes me pergunto se é preciso mesmo continuar? Por que não acabar logo com toda essa luta? Simplesmente deixar que o universo ganhe e que eu entre para as estatísticas, sou mais uma derrotada pelo universo, fim.

As vezes eu me pergunto o que me move, o que me mantém em movimento, o que é isso?

Nesse exato momento eu não sei responder, mas é nesse exato momento que eu o sinto acontecer, não parar, mesmo sem vontade fazer aquilo que deve ser feito, mesmo sem nem querer me mover, executo.

AÇÃO, agimos todo momento, agimos para nos manter vivos.

Não quero escrever nesse momento, mas o faço, o que é isso que acontece?

Por: Nininha Albuquerque