Era um fim de tarde, o sol se punha ao longe o céu estava coberto de nuvens, aquele dia havia sido complexo, mas a viver é complexo, estamos em movimento constante, estamos respirando, estamos vivendo, estamos sobrevivendo, pensamos, agimos, nos comunicamos ou não, fazemos escolhas, viver é fazer escolhas a todo momento, quão complexo é pensar que muitas vezes fazemos isso simultaneamente.
E o dia havia sido complexo.
Caminhava em um caminho de terra, ao lado da pista, de um lado árvores tortas do cerrado, um chão de terra vermelha, um sol que se punha ao longe, do outro um asfalto mal feito, carros transitando, um horizonte de nuvens carregadas, um mesmo caminho duas visões. As nuvens decidiram que quando eu chegasse ao meio do caminho iriam elas descarregar sua pressão e chorariam sobre mim, mas elas estavam controladas e as lágrimas ali caídas eram brandas e quando entravam em contato com o solo, exalavam perfume de ar fresco, cheiro de terra molhada, me despertariam sensações. Meu corpo exalava sensações confusas, complexas e difusas.
Aquele choro era tão brando, e me acompanhara até o momento que cheguei ao meu destino, vieram para trazer sensações viver é uma sensação, alias viver são várias sensações.
Pausa, nesse momento pausemos e observemos a sensação.
Em silêncio, talvez prosseguimos.
Por: Nininha Albuquerque


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