Intensos olhares

“Prazeres, intensidade e lembranças”

Era uma noite chuvosa, uma daquelas segundas feiras tediosas, com tudo para acabar normal. Em meio a uma conversa normal, daquelas virtuais que você parece estar conversando pessoalmente, surgiu a fala, “Posso passar ai para te ver?” E a confirmação, um frio na barriga há muito não sentido, o telefone tocando, a certeza de que ele já chegará, e um pequeno frescor, o olhar nos olhos intenso, um perfume que pairava no carro, era seu cheiro estava impregnado em todos os cantos daquele carro, uma volta, um lugar bonito da cidade, chovia fino, ventava forte, e a conversa se estendia, pausas para cantar a música que tocava no som… E assim a noite ia se estendendo, eram olhares, aproximações, pequenos contatos de pele, até que aconteceu o primeiro beijo, e foi intenso, assim como os olhares.

Você vinha me beijando, e eu ia me entregando, eu ia me deixando permitir, eu ia vivendo na intensidade do momento, tudo fluiu tão intenso, forte, sutil, delicado, foi gostoso, foi prazeroso. Eu me perguntava, quem proibia de se ter prazer, quem proibia de se viver intensamente? Não importava a resposta, a vivencia do momento os afagos, carinhos e prazeres já me bastavam como resposta.

Novamente beijos, conversas, risos, carinhos e mesmo após me deixar seu cheiro ainda estava em mim, todos os cheiros que vinham de você era bom, do suor, do hálito, do sexo, todos eram agradáveis, não me importava de ficar com seu cheiro, era gostoso, me trazia boas lembranças, me agradava.

Um segundo encontro, tudo meio estranho uma vontade de estar mais junto, de mostrar esse carinho para todos, mas a não certeza se era permitido, as coisas às vezes não ficam claras, por não serem ditas. Então algo mais sutil, discreto, mais ainda assim intenso nos olhares, novamente beijos, abraços, carinhos, olhares, mas dessa vez teve aquele abraço, ficar fazendo cafuné, até quase dormi, e ai veio um despertar repentino, como se dizendo, não, isso esta errado em acontecer assim, hora de voltar à realidade, então cai novamente na realidade e a volta para casa foi silenciosa, refletindo não posso me apegar, afinal, somos tão parecidos, e se “Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim” porque seria diferente com alguém tão parecido? Reflexões, daquelas que vêem no momento errado, mas são inevitáveis.

Depois de dias, algumas lembranças e uma certeza, realmente somos parecidos, e é isso foi intenso, prazeroso e gostoso, talvez um dia volte a acontecer, ou não. Mas foi bom como foi, não há arrependimentos nem lamentos, só boas lembranças, sorrisos e aquele carro impregnado com seu cheiro por todo canto.

Por: Nininha Albuquerque

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