Diário de bordo, parte 4.

Anestesiada. É assim que me sinto, ou melhor é assim que não sinto.

A gente acha que se recuperou dos furtos, mas descobrimos que não, não estamos bem, e não nos recuperamos, nos deparamos com uma não vontade de lutar ou de não fazer nada, mas não paramos e continuamos movendo, fazendo, agindo, mesmo sem o animo, à vontade, a esperança, e é então que eu começo a me sentir totalmente apática na sociedade, penso comigo que quero lutar, que quero reagir, mas não obtenho resposta de mim mesma, é como se parte de mim quisesse tomar forças agir e fazer tudo acontecer, mas a parte mais forte não sente mais vontade de nada, foi acometida pela desesperança, e desistiu, se deixou vencer, assumiu a derrota e agora não quer reagir, não tem forças para isso, sente-se doente, fraca, e morrendo…

É um grande conflito interno, uma grande briga.

Lágrimas caem, eu me pergunto como isso aconteceu, eis que me lembro, que o motivo de tudo isso é nada ter acontecido, nada realizado, nada concretizado, o furto, a desolação, a fé roubada, a esperança esmagada, e só uma certeza, valeria a pena lutar, já que tudo parece que nunca vai mudar?

Não gosto de anestesia, não gosto de ficar apática, não gosto de como esta, é preciso causar alguma mudança. Não parei de trabalhar, mesmo com os furtos, continuei fazendo, respondendo, encaminhando, mas no modo automático, sem o mínimo impulso de esperança.

Sinto parte de mim morrendo a cada minuto, sinto como se o último sopro não fosse demora, talvez eu nem sinta nada disso, talvez seja só um desejo de que o último suspiro seja em breve. Já faz 3 meses e só agora consigo começar a escrever, será que um dia recuperarei toda esperança e vontade de trabalhar?

É muito estranho me ver assim, eu que sempre fui apaixonada pelo que faço, não deixei de fazer, mas não me vejo como a esperança e vontade de outros tempos, e não sei (ou não tenho) outro rumo a seguir, o que resta é só seguir em frente, na esperança de que passe e quem sabe eu volte a ter esperança , que eu volte a sentir.

Pelo menos hoje já consegui através das palavras desabafar, quem sabe algo mais possa mudar em mim…

Por: Nininha Albuquerque.

Escrito em quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

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