Dessa Janela

20131210-165302.jpg

Vou a biblioteca, me sento próxima a janela, afinal já me basta o ar condicionado desta e eu esta me condicionando a concentração, pelo menos a visão do dia passando  lá fora eu preciso.

Acho que essa foi a maneira mais brusca que encontrei de me forçar a concentrar, não que eu não goste de bibliotecas, gosto daqui, esse clima de estudos, de vazio ao mesmo tempo de tudo cheio, a fadiga de tanto estudo, essas dicotomias, rostos estranhos, acontecimentos que só ocorrem aqui, gosto do cheiro dos livros e até do ar condicionado congelante, mas hoje em especial eu me forcei a vir para cá, preciso de um lugar de silêncio e de estudo para realizar todos trabalhos pendentes da faculdade, tenho somente 2 dias para entrega-los, na verdade agora só tenho um, pois esse já esta quase chegando ao fim,  artigos, resenhas, relatórios, reflexões, vídeos e mais alguma coisa que com toda certeza estou esquecendo e vou acabar reprovando, nesse semestre em especial estou com esse sentimento. Ainda bem que já não sou mais a louca da aprovação, já desisti de ficar fadigada e louca com tudo e  ser uma nerd. Agora eu faço tudo quanto posso sem me matar, pois se morrer nada mais poderei fazer,  mas então me sento na mesa que é próxima da janela e  aqui em nada consigo me concentrar, quando não estou vagando pela internet ouvindo músicas e vendo noticias sem importância (não entro nas redes sociais, para me sentir uma vencedora concentrada, mera ilusão), mas quando eu não estou na internet, estou observando pela janela, e ai o cotidiano acontecendo lá fora sempre me rouba a atenção, há uma exposição a céu aberto e uma grande praça de concreto com espelhos d’água, o céu vai de escuro e carregado para um pouco de sol para queimar vocês terráqueos, mas não é isso o mais interessante, os seres que ali habitam são muito interessantes,  havia um grupo de turistas passeando e observando a exposição sua reação corporal ao ver aquelas obras e estar naquela cidade era tamanha que me roubou a atenção, eles expandiam o peito e sorriam caminhavam saltitantes, era apenas 3 pessoas mais tão felizes que me contagiou aqui da minha janela, depois apareceu no outro canto, um grupo com sete jovens dançando enlouquecidamente, essa praça é de gente dançante, acho que são do free step (na verdade eu não sei, estou chutando, só por ter visto algo parecido sendo treinado na estação do metro dia desses) mas eles ficaram por 30 minutos dançando tão frenéticos que me senti exausta só de observar. Após 30 minutos eles pegaram suas mochilas e se foram, como se nada houvesse acontecido, logo em seguida parou um grupo de senhores de terno, se se sentaram próximo a caixa d’água e começaram a fumar, creio ser maconha, ali permaneceram até acabar o cigarro compartilhado, e voltaram então para sua vida, em meio a tudo isso ao longe um casal se senta no banco da praça e se ama, se beijam apaixonados,  enquanto ao lado em um dos espelhos d’água dois jovens vestidos bem simples, observam o que acontece dentro deles vão dando uma volta por completo, provavelmente observam os peixes (as carpas mutantes, que só de vê-los olhar já me lembro delas), eles cruzam com “o profeta” um morador de rua parecido com o Jesus dos filmes, anda com uma placa dizendo o profeta e esta sempre dizendo coisas interessantes de se ouvir hora ou outra, ele já esta ali a muito mais tempo observando as carpas, mas se levanta e se vai. Nesse momento minha atenção se volta para o barulho dos bombeiros ou policia, que vem fechando a rua para alguma autoridade passar, e logo depois que ela passa e toda barulheira passa a chuva enfim cai e é um corre corre, todos fugindo para não se molhar, menos o casal, que divide um guarda chuva na maior tranqüilidade.

Enquanto eu observava cada uma dessas pessoas criava histórias em minha mente, alternando com os textos que precisava criar, mas por hora acabo de me dar conta de que nem comi hoje e que preciso ir embora, acho que era essa a desculpa que eu esperava para partir, não trazer comida talvez tenha sido a estratégia perfeita para essa desculpa. Uma pena é só que não consegui terminar nenhum trabalho da faculdade, e nem me concentrar em outros trabalhos, acho que preciso tomar outra atitude quando vier a biblioteca, não posso mais me sentar perto da janela, com toda certeza da próxima vez que vier aqui me sentarei  de frente para parede, sem opções de distração, e não conectarei a internet , pois saio hoje com uma página de relatório, um post no blog e muita fome. Essa minha mania de não suportar rotina as vezes me complica. Antes que o dia acabe preciso de um novo lugar para terminar meus trabalhos, já me cansei da mesa que estou nessa rotina de hoje.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s