dia desses

 

um dia eu sonhei, um desses sonhos muito reais, que acordamos impressionados, pois então sonhei que tinha filhxs, era tanto amor e emoção em mim com aquelas pequenas crianças que ali no sonho era muito bom estar com elas, mas então eu acordei nesse mundo, racismo, homofobia, miséria, destruição da natureza, estupro, assassinato, justiceiros, marcha da família, lesbofobia, Amarildos desaparecem Claudias são arrastadas todo esse nosso mundo como ele é da sua forma mais crua e a estranha normalidade que toma conta de todos… desisti e criei verdadeiro pânico de ter filhxs, voltei a minha velha decisão, terei os filhos do mundo como meus. Há muito a ser feito, toda vez que penso no planeta que vivo, me pergunto se estou no tempo certo, pois como pode um mundo com tanto tempo viver tais retardos evolutivos e não estou me colocando aqui como o ser ultra evoluido, estou refletindo exatamente isso, como podemos ainda ter essas amarras? Gritar socorro nesse momento é o que nos resta? Eu acho que não, acho que podemos agir. Me lembro de ter assistido ao filme 12 anos de escravidão e só ficar pensando em como é tudo tão presente e tão agora na vida, eu sempre vou insistir na questão do negro e da mulher pois sou eu nessas questões e sempre busco falar daquilo que me afeta tão diretamente. Ao mesmo tempo a Lupita era vencedora do Oscar e eu me enchia de orgulho, só pensava que ela como mulher negra de pele escura tão linda, me representando, me senti tão feliz, mas o mundo é cruel e logo trouxe Claudia sendo arrastada e com ela também era arrastada minha felicidade, aquela cena me trazia exatamente de volta a realidade, quantas vezes eu me lembrei da cena pensando poderia ser eu, que dia desses fui abordada em um bairro nobre da cidade por estar em movimento suspeito (usando boné, sendo negra, mulher e sendo eu) tive que explicar e mostrar o uniforme da academia que eu acabava de dar aula.

Então aquele sonho tão real que tive dia desses, não que nesse momento eu pensasse em algo parecido, na verdade eu nunca pensei, mas ele ficou nos braços de Morfeu.

 

Por: Nininha  Albuquerque

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