Retratos Comuns

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Eu cheguei novamente a rodoviária, pensando que experiência viveria hoje, e para mim estava reservado a observação daquele cotidiano enquanto aguardava o próximo ônibus que pegaria, sexta-feira 20:50 havia um banco vazio, me sentei, olhando atenta tudo ao meu redor, primeiro um senhor barba cumprida pés descalços um cobertor, olhava para o painel concentrado um estado total de concentração e inércia, tão profundo cada ação era calmamente executada e com uma leveza e lentidão que parecia estar em câmera lenta em contraste com o mundo de drogas, traficantes, moradores de rua, prostitutas, trabalhadores, pessoas comum, em seguida ele se foi, poderia eu passar horas observando aquele homem.
Logo em seguida se senta uma moça ao meu lado, comum, ela era comum, cabelos presos, negra de pele não tão escura, calças jeans, tênis e jaqueta, olhar tranquilo e longe, ascendeu um cigarro, neste momento vi um ônibus parecido com o meu, corri para ver se era, ele nunca para no box certo precisa esta estar ligada, quando voltei a me sentar a moça perguntou se incomodava seu cigarro de imediato respondi que não, aquilo não fazia diferença, traçamos um breve diálogo silencioso, ela parecia querer conversar, conversamos então com olhares e respeito uma pela outra, pouco tempo depois, um rapaz blusa de algum time, levemente suja, bermuda e chinelos, veio com dois copos de sopa na mão e disse estavam distribuindo, ela pegou o dela comeu ele começou a comer o dele e chegou um amigo com um saco preto, no saco haviam varias lasanhas, ele havia ganhado pois estavam perto de seu vencimento, felizes comemoraram, ele o amigo do saco preto parecia também um alguém muito comum, saíram os dois rapazes um para fazer o corre de vender drogas, o outro para esquentar a lasanha, houve então um novo diálogo com ela, falou para eu cuidar da minha bolsa, ouvi muito atenta e com extremo respeito, agradeci no final, iria iniciar um diálogo, porém uma amiga dela chegou e chamou ela para dar uma volta, ela foi, nesse momento o cobrador de outro ônibus soltou um “ei princesa, vai no L2?” Respondi que não ele então continuou fumando seu cigarro tranquilo próximo de onde estava, quase que fazendo a minha guarda, enquanto isso homens a minha frente compravam, vendiam, barganhavam drogas, não havia distinção de cor, classe, roupas, opções sexuais, era um grupo com pessoas diversas, eles se dissiparam depois de todas negociações, o rapaz da camiseta de time voltou, perguntou por ela, disse que ela havia ido por tal caminho e apontei, ele agradeceu respeitosamente e se foi, a moça e amiga voltaram, contavam dos programas que terão que fazer para paga uma dívida, me revelando então sua profissão, logo depois também o rapaz da camiseta de time, os 3 iniciaram um diálogo animado, e então meu ônibus chegou, fui embora me deram tchau e disseram para eu ter cuidado, agradeci novamente e fui.
Tranquila, sem medo, sem julgamentos, com respeito pois cada um sabe a dor de si, e a mim só cabia a observação com o olhar de contemplação e testemunha.
Sempre há uma lição a ser absorvida, e a de hoje incluí respeito e não julgar.

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