fim

A minha estranheza insiste em poetizar todos os fins, então naquela tarde quente, ensolarada com uma sensação térmica que beirava a aproximação com o inferno mais um encontro tínhamos, era o fim do que nunca houvera acontecido, o deleitar-se do prazer da companhia e da arte, eu que não me encontrava apaixonada por você, prazerosamente conversava e me divertia em meio aqueles rostos estranhos e conhecidos, sem jogatina e sem roteiros fixos, vivi como um dia qualquer em uma cena lúdica de um fim de tarde abandonado em meio a cidade arquitetônica da estranheza, bebemos, apreciamos, dialogamos, por horas o prazer exalou no ar, porém era nítido também uma preocupação que parecia insistir em manter seu olhar por vezes ligado a um universo paralelo, aquela louca vontade de dizer que precisávamos parar, não foi preciso nada ser pronunciado, tudo era entendível, eu que artisticamente me fazia de desentendida já havia captado todo esse trajeto desde o dia que nos conhecemos, havia uma curiosidade na corporeidade e nos sabores que poderíamos oferecer, experimentamos e nos deliciamos com eles, porém pequenas doses de afeto onde nada além do deliciar da presença do outro também foram parte desse micro processo, eis mais uma maneira sutil de um fim de algo que nunca aconteceu, parece que foi a tanto tempo que às vezes o espaço-tempo me engana.

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